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LAVRAS / MG - "Terra dos Ipês e das Escolas"

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Foto: Rodrigo Nani - rnfdesign.com.br

Fonte Luminosa - Praça Dr. Augusto Silva

Foto: Rodrigo Nani - rnfdesign.com.br

Vista Aérea / Feira de Artesanato / Casa da Cultura

Foto: Lavrastur.com.br

MUSEU - Universidade Federal de Lavras

Foto: Rodrigo Nani - rnfdesign.com.br

Parque Ecológico Quedas do Rio Bonito

Foto: Lavrastur.com.br

Vista Panorâmica (Área: Centro/Sul)

Foto: Rodrigo Nani - rnfdesign.com.br

Vista Panorâmica (Área: Centro/Norte)

Foto: Rodrigo Nani - rnfdesign.com.br



História de Lavras
 

LAVRAS / MG

          O município de Lavras situa-se na Zona Fisiográfica Sul do Estado de Minas Gerais, fazendo parte da Microrregião Alto Rio Grande que é constituída por 9 municípios: Lavras, Ribeirão Vermelho, Ijaci , Carrancas, Itutinga, Nepomuceno, Itumirim, Luminárias e Ingaí. Limita-se ao Norte com Ribeirão Vermelho e Perdões; a Leste com Ijaci e Itumirim; a Oeste com Nepomuceno e ao Sul com Ingaí e Carmo da Cachoeira.
Possui apenas o distrito sede com área de 559,2 Km², abrangendo cerca de 5,59% da superfície total da microrregião. A área do perímetro urbano corresponde aproximadamente a 117,84 km² e a área urbanizada corresponde a 14,16 Km². Sua posição geográfica é determinada pelo paralelo, 21º 14’ 30” de latitude sul e 45º 00’ 10” de longitude oeste de Greenwich. A sede do município encontra-se a 914m de altitude.

HISTÓRICO

          A Cidade de Lavras nasceu sobre uma Colina no Vale do Rio Grande, que serviu de Pouso para a Bandeira de Fernão Dias Paes Leme.
          Para conseguir atingir a colina eles tiveram que lutar com os índios Cataguás, que desde então passou a chamar-se colina do Pouso do Funil, por causa de uma cachoeira que havia no rio semelhante a um funil. E segundo diz a tradição nos idos de 1698, achou-se a bandeira de Bartolomeu acampada no Pouso do Funil. 
          Um integrante dessa bandeira chamado Romualdo Pedrosa da Costa Lima.  Perdeu-se sob os fervedouros formados pelas águas que caíam em turbilhões da cachoeira do Funil do Rio Grande, somente voltando à tona para espanto de seus companheiros de jornada, após um dia e uma noite, como se fosse uma aparição de outro mundo. Daí houve em pagamento desse milagre, um fato: o destemido bandeirante depositou na crista da colina do Pouso do Funil, uma imagem de Sant’ Ana, santa de sua devoção, padroeira  de sua  bandeira .
          Esse episódio foi narrado por Batista Caetano, nas suas memórias  na comarca do Rio das Mortes . E passados alguns anos chegaram a Lavras, outros bandeirantes. Em 1720, com o fato ocorrido do milagre os bandeirantes  ficaram  sabendo do mesmo  e  decidiram  ir até o Pouso do Funil para conhecer  o local  e ver  se havia  ouro, pois vieram em busca do mesmo em nossa terra.  Mas não havia muito ouro em nossa cidade; apenas encontraram uma imagem de Sant' Ana, onde estavam, e sabendo que a imagem era a do milagre ocorrido naquele lugar, trouxeram- na para o acampamento onde estavam, e  resolveram ali, onde acampavam fazer uma capela para colocar aquela imagem do  milagre  acontecido.
          Com o fato narrado anteriormente aconteceu o primeiro marco da nossa história: fizeram a capela simples e humilde, e de 1720 à 1729  desenvolveu-se em torno da primitiva capela de Sant'Ana um pequeno arraial, hoje Igreja do Rosário. E os bandeirantes vendo o grande crescimento do arraial resolveram ir até o bispo de Mariana, Dom Frei Manoel da Cruz para entregar um documento pedindo a autorização para construir  um povoado em torno da capela;  com a autorização  de 18 de Setembro de 1751 é concedido a licença para  se edificar  o povoado  denominado, Campos de Sant'Ana das Lavras do Funil, o nome dedicado a padroeira do lugar.
          Depois de consumado a construção da capela o Sr. Luiz Gomes de Salgado doador do terreno onde se construiu a capela, oficialmente fez o registro  da doação, em 22 de Abril de 1753.
          O Bispo de Mariana oficializou a capela em 1754. Em 1810 começou a haver mudanças na capela. O Vigário Francisco Severo  Malaquias  junto com a irmandade Nossa Senhora do Rosário dos Pretos  melhorou muito a capela, fazendo as  partes laterais esquerda e direita.
          Depois de ampliada a capela  havia uma certa separação dentro da mesma, sendo que próximo ao altar só ficavam  os senhores de grandes posses, depois  na divisória, no meio da igreja, os de poucas posses  e os pretos  e já no final da igreja, construíram uma porta onde os não  batizados e que não eram católicos, tendo essas  três  divisões. 
          Nesse período foram enterradas várias pessoas dentro da igreja, no fundo do altar. Conseguimos em Carrancas na Matriz, localizar no seu livro de registro nome de cincos pessoas que foram sepultadas dentro da Matriz de Sant`Ana em Lavras, hoje Igreja do Rosário. Os documentos que confirmam os dados dessas pessoas estão guardados lá pois no período que aconteceu o fato, Lavras era freguesia de Carrancas.
 Podemos também observar que a partir de um certo tempo os vigários,  com o crescimento rápido do povoado, começaram a fazer seus sermões nos  púlpitos com  medo de causar uma revolta  entre os povos,
 e assim  ficavam  no meio entre  ricos,  pobres,  pretos  e  escravos.
          Na capela de Sant' Ana chegaram diversas  imagens trazidas de Portugal, e algumas esculpidas por pessoas de alto talento. Podemos dizer que temos um grande acervo de imagens de valor inestimável e entre essas imagens temos algumas que são conhecidas como imagens do Pau-Oco; é que em uma determinada época e lugar eles arrumavam essas imagens para tirar o ouro das igrejas, como por exemplo:
           Na Igreja de Sant' Ana, para fazer os detalhes de ouro gastaria duzentas barras de ouro; eles falavam que seriam gastos trezentos e escondiam o restante dentro dos altares e forros das igrejas, e para tirar esse ouro da igreja inventaram as imagens do Pau-Oco; como eles sabiam que as imagens eram ocas durante as procissões  escondiam o ouro debaixo das roupas dos santos e no decorrer da procissão tiravam  e colocavam em “borná” que carregavam; assim ninguém desconfiava que eles  tiravam esse ouro da  igreja, pois acreditavam que era gasto todo para fazer os detalhes dos altares. Mas certo dia um dos bandeirantes espertos, no decorrer da procissão deixou cair o ouro, e assim descobriram  que roubavam. Eles continuaram em outros lugares a tirar o ouro das igrejas; assim inventaram um objeto chamado Matraca que durante a procissão fazia um som, para que não se pudesse ouvir o barulho do ouro caindo no chão, e desta forma pegava e transportava  escondido para ser vendido em outros  países.
          Não é por acaso que Minas Gerais tem tantas igrejas. Conseguiram construí-las por meio de disputas entre cidades para ver qual delas teria maior número de igrejas com mais ouro. Cada vez que se descobria ouro em uma cidade todos corriam para lá com a finalidade de ganhar muito dinheiro.
          O real interesse não era a beleza das igrejas, mas pelo interesse financeiro. A Igreja do Rosário tem pouco ouro porque em  Lavras ele era escasso e também era desviado para  outras  cidades.
          Nos  anos seguinte com o grande aparecimento do ouro nas Minas Gerais, o rei D. Pedro e sua filha a Princesa Isabel  começaram a percorrer o Brasil para ver de onde surgira tanto ouro. E sabendo do aparecimento de ouro em nosso povoado  de Sant'Ana das Lavras do Funil mandaram avisar que estariam vindo conhecer o povoado os bandeirantes  que residiam  em Lavras, começaram a organizar-se para a chegada  do  rei e sua filha. Sem saber o que fazer decidiram construir uma sacada dentro da capela para hospedar o rei durante uma celebração especial.
          Os bandeirantes preocupados com a chegada da Família Real, prepararam tudo só faltavam os visitantes; a tardinha veio a notícia de que haviam chegado na Vila de São João Del Rey,  e junto veio a notícia que não  poderiam chegar a  Lavras porque tinham  assassinado um de seus sobrinhos no Rio de Janeiro e precisavam ir para lá com muita  urgência. E assim aconteceu. Foram para o Rio e Lavras ficou na história de  não ter  recebido  as  ilustres  visitas. 
          A Princesa Isabel nasceu no Rio de Janeiro no dia 29 de Julho de 1846, faleceu em Paris no dia 14 de Novembro de 1921; era a segunda filha de D. Pedro II e da Imperatriz Tereza Cristina; casou se com o Conde D'Eu  Luís Filipe Maria Fernando Gastão de Orleans em  15 de Outubro de 1864, seu nome completo era Isabel Cristina Leopodina  Augusta Nicalha Gabriela Rafaela  Gonzaga.
 Em 28 de Setembro 1871 sancionou a Lei do Ventre Livre e em 1888 a Lei Áurea, que extinguiu a escravidão no Brasil.
          Em 1904 a capela de Sant'Ana, passa a ser denominada Igreja do Rosário, pois com a construção da nova Igreja Matriz de Sant'Ana, a antiga capela construída com o nome Igreja do Rosário dos Pretos, situada no final da praça, hoje Leonardo Venerando, foi demolida para aumentar a praça; assim houve a troca de nomes; a Matriz nova chamando Igreja de Sant'Ana e  a antiga,  Igreja do Rosário.
          Hoje a construção da Igreja do Rosário é uma das mais diferentes do Brasil,  pois seu estilo é de um Barroco leve mais conhecido como Rococó. 
          Foi  tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional, Processo,   Nº: 368-T , inscrição  Nº: 316 . Livro  Belas  Artes,  fls. 67 em  02.09.1948.

Finalidade Culto Religioso

          O seu interior, contém preciosos trabalhos de entalhe de madeira e pedra, verdadeiras obras de arte. O seu forro foi pintado pelo mestre João José Natividade um dos discípulos do mestre Athaide. No fundo do Altar-Mor todo entalhado em madeira, temos a imagem de N.S.do Rosário. Do lado direito estão as imagens  de Bom Jesus do Calvário e Bom Jesus da Cana Verde,  todos entalhados em madeira. Já do lado esquerdo, as imagens de N.S.das Dores e Nosso Senhor do Triunfo, há uma roca do século XVIII.  Na ala esquerda  está a imagem do N.Senhor dos Passos. 
          No recinto da Igreja do Rosário, funcionava o Museu Sacro, inaugurado em 13 de Outubro de 1990, onde se encontram aproximadamente  cinqüenta peças  catalogadas de um grande valor  real. ( Encontra-se fechado para reformas)
          Vemos na lateral esquerda, a herma do Professor José Luiz de Mesquita, que muito amou e lutou para que a igreja não fosse destruída; a igreja passou por várias reformas e só foi  reaberta ao público em 29 de Maio de 1997,  sendo o centro dos eventos culturais  de nossa cidade.
          A data correta da criação do município de Lavras é 13 de Outubro de 1831, e em 3 de março de 1832, foram expedidas as instruções do Conselho da Província para executar  o referido decreto, em 31 de agosto de 1832 o ouvidor geral e corredor da Comarca Rio das Mortes lavrou o edital fazendo constar o  "Levantamento" da vila em 1º. de setembro de 1832. 
          Lavras possuía os seguintes distritos: Carrancas, Perdões, Ribeirão  Vermelho, Luminárias, Itumirim,  Ingaí.
          E em  8 de outubro de 1870, passa a ter uma Comarca. A Lei  Provincial N.º 1510  de 20 de julho de 1869 que eleva Lavras a Cidade, proporcionando que fosse eleita a 1ª Câmara Municipal com 9 vereadores  dentre eles:

          1. Comendador José Esteves de  Andrade Botelho
          2. Tenente  Coronel José Augusto do Amaral
          3. Coronel Joaquim Francisco da Costa
          4. Capitão Joaquim José de Azevedo
          5. Dr. José Constâncio de Oliveira e Silva
          6. Joaquim Thomaz  Vilela e Castro
          7. João Alves de Gouveia, que veio receber o título barão de Lavras
          8. José Flávio de Morais
          9. Honório José Martins

 
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